Desde os tempos mais remotos, o homem utiliza seus sonhos para obter conselhos, resolver problemas e curar suas enfermidades. Gregos, Hebreus, Egípcios, Hindus, Chineses, Japoneses e Muçulmanos também praticaram a cura através dos sonhos. Até mesmo Hipócrates, pai da medicina moderna, escreveu um “Tratado dos Sonhos” onde indica a utilização terapêutica de certos símbolos oníricos. Desde a mais remota Antiguidade, o homem tem guardado através das Tradições Espirituais, chaves de interpretação dos sonhos.Para Freud, o sonho é a expressão, ou mesmo a realização de um desejo reprimido, sendo uma via para se chegar ao conhecimento da alma. Seu método de interpretação dos sonhos é etiológico e retrospectivo, isto é, o sentido do sonho é procurado na causa do sonho, no que o precede e seu enfoque é no objeto sonho, decompondo seu conteúdo através de sua trama complexa de reminiscências, de lembranças que são o eco de condições exteriores.
Para Jung, o sonho é a auto-representação, espontânea e simbólica, da situação atual do inconsciente, isto é, ele é uma auto-descrição do processo da vida psíquica do indivíduo. O método junguiano é teleológico e prospectivo, isto é, o sentido do sonho é procurado no futuro imediato do sujeito, na intenção realizadora do sonho. Como se pode ver, seu enfoque é no sujeito, isto é, estabelece-se uma relação de cada elemento do sonho com o sujeito.
De acordo com as mais recentes pesquisas cientificas sonhamos pelo menos 2 horas por noite. Um homem de 60 anos terá sonhado, durante o sono, um mínimo de 5 anos. Se passamos 1/3 da nossa vida dormindo, cerca de 25% desse tempo é tomado por sonhos. Isto quer dizer que o sonho noturno ocupa cerca de 1/12 da existência da maior parte das pessoas.
Num enfoque bio-psico-fisiológico, o sonho é considerado tão necessário ao equilíbrio biológico e mental quanto o sono, o oxigênio e a saúde alimentar. Uns consideram que, independentemente de se lembrarem ou não, todas as pessoas sonham. Outros dizem que a falta de sonhos pode levar à loucura e até mesmo à morte. De uma carência de sonhos, dizem alguns, resulta desequilíbrios mentais, como uma carência de proteínas provoca perturbações fisiológicas. Essa função biológica do sonho é confirmada pelas mais recentes pesquisas e experiências científicas.
Todo sonho tem uma organização didática, isto é, tem introdução - desenvolvimento - conclusão. Traz o objetivo a ser alcançado, a meta a ser seguida e os meios a serem utilizados. Traz também o problema, o seu porque e as possíveis soluções. Isto significa que eles nos mostram onde estamos, como estamos e para onde devemos ir.
Todo sonho tem uma organização didática, isto é, tem introdução - desenvolvimento - conclusão. Traz o objetivo a ser alcançado, a meta a ser seguida e os meios a serem utilizados. Traz também o problema, o seu porque e as possíveis soluções. Isto significa que eles nos mostram onde estamos, como estamos e para onde devemos ir.
Por serem a fonte mais precisa do conhecimento intuitivo, uma vez que a nossa mente racional está adormecida, os sonhos tem uma pedagogia que pode ser alcançada através da intuição. Segundo Jung, a pedagogia dos sonhos é evolutiva, estruturante, integradora e totalizante, estimulando o indivíduo a evoluir, a ir mais longe e mais profundamente no conhecimento de si mesmo. É a intuição que nos permite viver e reconhecer na nossa realidade exterior a experiência vivida interiormente.
Infelizmente, poucas são as pessoas conscientes da importância dos sonhos na sua vida - o que as impede de alcançar o seu significado total. Mas, independentemente dessa inconsciência, seu "eu superior" atua através das imagens oníricas de dentro para fora em sua vida.
Isto, porque a nossa consciência diurna é limitada no tempo, mas a nossa consciência onírica é ilimitada, atuando fora do tempo, nos alimentando e nos revigorando com a força da sua energia. Concentrando nossa atenção nos conteúdos dos nossos sonhos, buscando compreender pela intuição seus ensinamentos, nos tornamos permeáveis à sua força em nossa vida, nos harmonizamos com suas vibrações, alcançando uma relação profunda com a nossa origem primordial, divina. Como a linguagem simbólica é universal e independe da língua ou da cultura, e as imagens são individuais denunciando o nosso cotidiano interior/exterior, isto facilita a sua compreensão. Por isso, podemos nos exercitar, pouco a pouco na percepção e compreensão do simbolismo da imagem onírica pela observação interior até desenvolver a confiança em nossa própria intuição, alcançando o significado particular da linguagem dos nossos sonhos. Rompendo as barreiras limitativas, fragmentadas e reducionistas do nosso mundo exterior, pelo despertar da nossa consciência, nos abrimos passo a passo para compreender as mensagens e ensinamentos que nos chegam através dos sonhos, até alcançarmos o infinito da sabedoria que dorme nas profundezas da nossa consciência divina, por detrás das sombras do nosso inconsciente.
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